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Selvagem, ciclo de estudos sobre a vida

Ciência e conhecimento tradicional se irmanam em evento que acontece nos dias 13, 14 e 15 de novembro no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, trazendo palestras, música e oficinas, além de lançamento da reedição de livro de Barbosa Rodrigues.

As rodas de conversa contam com convidados do Brasil e do exterior, entre os quais o presidente do JBRJ, Sergio Besserman Vianna, e os pesquisadores Gustavo Martinelli e Alexandre Quinet, mediadas por Ailton Krenak, líder indígena, ambientalista, escritor e fundador do Núcleo de Cultura Indígena.



O evento, realizado pela Dantes Editora, acontece no Teatro do Jardim, e é aberto ao público.
Confira a programação e venha participar!

Dia 13/11

Ambiência sonora de Antonio Arvind, fundador da primeira companhia de Handpan no Brasil, a Satya Sound Sculptures, integrando conhecimentos do Yoga e da terapia sonora como ferramentas de saúde plena e desenvolvimento pessoal/espiritual.


10h às 12h: VIAGEM AO CENTRO DA VIDA
Abertura da jornada do ciclo de palestras, falando da vida, da rede da qual fazemos parte, mas também sobre o espaço interno humano e como ele se conecta com o universo exterior. Microcosmos e Macrocosmos.
Convidados:
Luis Eduardo Luna -  Ph.D. do Instituto de Religião Comparada da Universidade de Estocolmo e membro do Guggenheim e da Sociedade Lineana de Londres. É autor de livros sobre visões do ayahuaska e diretor do “Research Center for the Study of Psychointegrator Plants, Visionary Art and Consciousnes”s, em Florianópolis, Brazil.
Torami-Kehíri (Luiz Gomes Lana) - do povo Desana, cuja autodenominação é Imiko-masã: “Gente do Universo”. Luiz é o filho primogênito de Umusi Pãrõkumum, Firmiano Arantes Lana, e de Emília Gomes (mulher tukano). Torami-kehíri e seu pai já falecido, são autores da coletânea de narrativas míticas “Antes o mundo não existia”e “Mitologia dos antigos Desana-Kehíripõra”.
Sergio Besserman Vianna - economista, graduado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e ambientalista. Foi presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Atualmente é presidente do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.


14h às 16h: A SERPENTE E O DNA
Essa mesa visa estabelecer correspondências entre o conhecimento nativo e a ciência. A conversa será inspirada no livro “A Serpente Cósmica, o DNA e a origem do saber”, de Jeremy Narby. Após pesquisar sobre as plantas junto ao povo Ashaninka para seu doutorado em antropologia, Narby desenvolveu uma hipótese que relaciona as serpentes dos mitos originais com o DNA presente em toda forma de vida.
Convidados:
Jeremy Narby - antropólogo e escritor radicado na Suíça. Estudou história na Universidade de Kent em Canterbury e recebeu seu doutorado em antropologia da Universidade de Stanford. Estudou com os Ashaninka na Amazônia peruana catalogando recursos da floresta para combater sua destruição. Autor de “A serpente cósmica, o DNA e a origem do saber”.
Moisés Piyâko -  xamã do povo dos Ashaninka e conhecedor das tradições espirituais de seu povo.
Gustavo Porto de Mello - doutor em Astrofísica e professor da UFRJ. Atua em Astrofísica, nas áreas Estelar e Galáctica, em Exoplanetas e Astrobiologia. Temas de pesquisa: composição química estelar, evolução química da Galáxia, estrelas quimicamente peculiares, atividade cromosférica estelar, planetas extra-solares e astrobiologia. Em 1997 descobriu a estrela mais semelhante ao Sol (gêmea solar) até então identificada (Astrophysical Journal Letters, 482, L89).



17h - RELANÇAMENTO DO LIVRO MBAÉ KAÁ  - O que tem na mata - A Botânica Nomenclatura Indígena de Barbosa Rodrigues, com participação de comitiva Guarani
João Barbosa Rodrigues (Rio de Janeiro, 1842) foi professor de desenho no Colégio Pedro II, diretor do Museu Botânico do Amazonas, em Manaus, e diretor do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, onde trabalhou até morrer em 1909. Realizou diversas expedições, entre elas uma no vale do Rio Amazonas, de 1872 a 1874, com o objetivo de complementar os estudos sobre palmeiras de von Martius. A pesquisa de campo era tão importante em sua carreira que criou, no Jardim Botânico, o cargo de naturalista viajante. Publicou “Sertum Palmarum Brasiliensium”, em 1903, uma obra impressionante em dois volumes contendo 389 espécies de palmeiras ilustradas e seus usos descritos. Falante do tupi antigo, do nheengatu e do guarani, em 1905 publica “Mbaé Kaá, Tapyiyetá Enoyndaua” - A Botânica nomenclatura indígena, uma defesa do conhecimento nativo diante do meio científico. Mesmo dentro do vocabulário da época e das perspectivas do início do século XX, é um livro fundamental para apoiar o reconhecimento da sabedoria indígena no Brasil e no mundo. A nova edição do livro foi ilustrada por crianças, jovens e adultos Guarani durante uma oficina em setembro de 2018 na aldeia Pyau,em São Paulo. Foram também elaboradas novas notas. A apresentação é assinada por Sergio Besserman Vianna e a introdução por Fabio Rubio Scarano. O livro conta com apoio institucional do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e com o patrocínio da Associação de Amigos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro - AAJB, e da BPBES - Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos.


Dia 14/11

Abertura com cantos de Ayani e Batani Huni Huï. Ambiência sonora por Tercio Araripe, da Orquestra de Barro Uirapuru.


10h às 12h: DA PLANTA AO PLANETA
Como a consciência do mundo e a consciência sobre as plantas são inseparáveis. As plantas tornaram possível a vida sobre a Terra. Elas encontraram a fórmula para transformar a energia solar em matéria. Para além do Antropoceno, a mesa aborda a engenharia planetária das plantas e o mundo onde habitamos ligado ao cosmos.
Convidados:
Alembeg Quindins – criou a Fundação Casa Grande e Memória do Homem Kariri, grande centro cultural para as crianças de Nova Olinda, no sertão do Ceará, com o objetivo de resgatar a memória do povo da região, nas áreas de arqueologia, mitologia, artes e comunicação. Como consultor da UNICEF foi um dos criadores do projeto ” Rádio de criança para criança” no Brasil, Angola e Moçambique.
Fabio Scarano - graduado em Engenharia Florestal pela Universidade de Brasília, obteve seu Ph.D. em Ecologia na Universidade de St. Andrews, Escócia. É Professor Associado de Ecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro e membro da Sociedade Linneana de Londres.  Seu campo de estudo é a questão climática dentro da perspectiva de gaia.
Gustavo Martinelli - doutor pela Faculty of Sciences - University of St.Andrews, Reino Unido, é pesquisador titular do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e coordenador do Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora). Nomeado como Ponto Focal do Brasil junto à Estratégia Global para Conservação de Plantas - GSPC/CDB.



14h às 16h: PLANTAS MESTRAS
Três estudiosos do conhecimento tradicional compartilham aprendizados, experiências e entendimentos junto a conhecedores da natureza, os pajés.
Convidados:
Alexandre Quinet - doutor em Ciências Biológicas (Botânica) pela UFRJ e pesquisador do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Tem experiência na área de Botânica, com ênfase em Taxonomia. É organizador, com o pajé Agostinho Ika Muru de “Una Isi Kayawa, Livro da Cura do povo Huni Kuin do rio Jordão”.
Els Lagrou - antropóloga e professora da UFRJ. De origem belga, fez mestrado em História Contemporânea em Louvain e veio para o Brasil estudar os povos ameríndios, onde fez mestrado e doutorado em Antropologia Social, com especialização em Antropologia da Arte. Publicou, dentre outros, os livros “A fluidez da forma: arte, alteridade e agência em uma sociedade amazônica”, sobre os Kaxinawa e “Arte Indígena no Brasil: agência, alteridade e relação”.
Pedro Luz - antropólogo e etnobotânico. Autor do livro Carta Psiconáutica, sobre 44 espécies psicoativas, e realizador das pesquisas etonobotânicas no livro Una Isi Kaywa, Livro da Cura do povo Huni Kuin do rio Jordão.



 

Dia 15/11

10h às 12h - Oficina de Plantio com a equipe do Centro de Responsabilidade Socioambiental do JBRJ
14h às 16h - Aula de Guarani e oficina de desenho de plantas